19 abril 2025

Questões de Língua Portuguesa (FUVEST-SP–2022)


Questão 01. 
Por mais bem informado que você possa ser, não dá para baixar a guarda. Mas por que as notícias falsas – mesmo a aquelas mais improváveis – parecem tão convincentes para tantas pessoas? Van Bavel, professor de psicologia e ciência neural da Universidade de Nova York, se especializou em entender como as crenças políticas e identidades de grupo influenciam a mente, e descobriu que a identifi cação com posições políticas pode interferir em como o cérebro processa as informações. Tendemos a rejeitar fatos que ameaçam nosso senso de identidade e sempre buscar informações que confirmem nossas próprias crenças, seja por meio de memórias seletivas, leituras de fontes que estão do nosso lado ou mesmo interpretando os fatos de determinada maneira. Isso tudo está relacionado a não querermos ter nossas ideias, gostos, identidade questionados, e por isso temos dificuldade em aceitar o que contradiz aquilo em que acreditamos.
> PRADO, Ana. A ciência explica por que caímos em fake news. Superinteressante, 15 jun. 2018 (Adaptação).

De acordo com o texto,
A) as pessoas bem informadas estão protegidas de polêmicas, uma vez que o modo como processam os fatos tornam suas opiniões mais convincentes.
B) o posicionamento político garante a disseminação de notícias verdadeiras e resulta de crenças já estabelecidas socialmente.
C) a rejeição a questionamentos impede que se admitam pontos de vista antagônicos, em razão da tendência de se confirmar crenças pessoais.
D) as memórias seletivas auxiliam na rejeição de fatos contrários à realidade, já que conduzem à interpretação das reportagens de modo imparcial.
E) os fatos hostis normalmente são preteridos por grande parte da sociedade, embora sejam utilizados como identificador cultural.

Questão 02. 
Disponível em: http://www.malvados.com.br/.

Considerando a ironia da tirinha, é possível inferir que
A) o serviço de transporte público é gerido pelo Estado.
B) a qualidade do transporte é uma forma de punição.
C) os responsáveis pelo transporte são punidos no Brasil.
D) o brasileiro é um povo que tolera a criminalidade.
E) o transporte público é responsável pela mobilidade urbana.

Instrução: Texto para as questões 0304.
No modelo hegemônico, quase todo o treinamento é reservado para o desenvolvimento muscular, sobrando muito pouco tempo para a mobilidade, a flexibilidade, o treino restaurativo, o relaxamento e o treinamento cardiovascular. Na teoria, seria algo em torno de 70% para o fortalecimento, 20% para o cárdio e 10% para a flexibilidade e outros. Na prática, muitos alunos direcionam 100% do tempo para o fortalecimento.
Como a prática cardiovascular é infinitamente mais significativa e determinante para a nossa saúde orgânica como um todo, podendo ser considerada o “coração” de um treinamento consciente e saudável, essa ordem deveria ser revista.
> COBRA JR., Nuno. Fitness não é saúde. Uol, 6 maio 2021 (Adaptação).

Questão 03. 
Sem alteração de sentido, o segundo parágrafo do texto poderia ser reescrito da seguinte maneira:
A) Ainda que a prática cardiovascular seja infinitamente mais significativa e determinante para a nossa saúde orgânica como um todo, essa ordem deveria ser revista, podendo ser considerada o “coração” de um treinamento consciente e saudável.
B) Para evitar que a prática cardiovascular se torne infinitamente maissignifi cativa e determinante para a nossa saúde orgânica como um todo, podendo ser considerada o “coração” de um treinamento consciente e saudável, essa ordem deveria ser revista.
C) Quando a prática cardiovascular for infinitamente mais significativa e determinante para a nossa saúde orgânica como um todo, essa ordem deveria ser revista, podendo ser considerada o “coração” de um treinamento consciente e saudável.
D) Quanto mais a prática cardiovascular é infinitamente mais significativa e determinante para a nossa saúde orgânica como um todo, podendo ser considerada o “coração” de um treinamento consciente e saudável, essa ordem deveria ser revista.
E) Essa ordem deveria ser revista: a prática cardiovascular é infinitamente mais significativa e determinante para a nossa saúde orgânica como um todo, podendo ser considerada o “coração” de um treinamento consciente e saudável.

Questão 04. 
Dentre as expressões destacadas, a que exerce a mesma função sintática do termo sublinhado em “o treino restaurativo, o relaxamento e o treinamento cardiovascular” é:
A) um atleta de seleção precisa de treinamento intenso.
B) o amor ao esporte é fundamental para o atleta.
C) a população incorpora radicalmente atitudes saudáveis.
D) muitas pessoas se beneficiam de alimentos verdes.
E) todo tipo de atividade física faz bem à saúde mental.

* * *

Instrução: Textos para as questões de 0507.

I.
Suave mari magno*

Lembra-me que, em certo dia,
Na rua, ao sol de verão,
Envenenado morria
                        Um pobre cão.
Arfava, espumava e ria,
De um riso espúrio e bufão,
Ventre e pernas sacudia
                        Na convulsão.
Nenhum, nenhum curioso
Passava, sem se deter,
                        Silencioso,
Junto ao cão que ia morrer,
Como se lhe desse gozo
                        Ver padecer.
> ASSIS, Machado de. Ocidentais.
* Expressão latina, retirada de Lucrécio (Da natureza das coisas), a qual aparece no seguinte trecho: Suave, marimagno, turbantibus aequora ventis / E terra magnum alterius spectare laborem. (“É agradável, enquanto no mar revoltoso os ventos levantam as águas, observar da terra os grandes esforços de um outro.”).

II.
Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão.
> ASSIS, Machado de. Quincas Borba. cap. XVIII.

III.
Sofia soltou um grito de horror e acordou. Tinha ao pé do leito o marido:
– Que foi? perguntou ele.
– Ah! respirou Sofia. Gritei, não gritei?
[...]
– Sonhei que estavam matando você.
Palha ficou enternecido. Havê-la feito padecer por ele, ainda que em sonhos, encheu-o de piedade, mas de uma piedade gostosa, um sentimento particular, íntimo, profundo, – que o faria desejar outros pesadelos, para que o assassinassem aos olhos dela, e para que ela gritasse angustiada, convulsa, cheia de dor e de pavor.
> ASSIS, Machado de. Quincas Borba. cap. CLXI.

Questão 05. 
A visão do eu lírico no texto I
A) volta-se nostálgica para as imagens de uma lembrança.
B) centra-se com desprezo na figura do animal agonizante.
C) apreende displicentemente o movimento dos transeuntes.
D) ganha distância da cena para captar todos os seus aspectos.
E) apresenta o espectador da crueldade como um ser incomum.

Questão 06. 
A analogia consiste em um recurso de expressão comumente utilizado para ilustrar um raciocínio por meio da semelhança que se observa entre dois fatos ou ideias. No texto II, a analogia construída a partir da imagem do chicote pretende sugerir que
A) o instrumento do castigo nem sempre cai em mãos justas.
B) o apreço aos objetos independe do uso que se faz deles.
C) o cabo é metáfora de mérito, e a ponta, metáfora de culpa.
D) o mais fraco, por ser compassivo, é incapaz de desfrutar do poder.
E) o prazer verdadeiro se experimenta no lado dos dominantes.

Questão 07. 
No texto III, ao analisar a interioridade de Palha, o narrador descobre, no pensamento oculto do negociante,
A) a ternura que lhe inspira a mulher, capaz de toda abnegação.
B) a piedade que lhe causa a mulher, a quem só guarda desprezo.
C) a vaidade que beira o sadismo, ao ver a mulher sofrer por ele.
D) o gozo vingativo, visto que a mulher o trai com Carlos Maria.
E) o remorso do infiel, pois ele trai a mulher com Maria Benedita.

Questão 08. 
Largo em sentir, em respirar sucinto,
Peno, e calo, tão fino, e tão atento,
Que fazendo disfarce do tormento
Mostro que o não padeço, e sei que o sinto.

O mal, que fora encubro, ou que desminto,
Dentro no coração é que o sustento:
Com que, para penar é sentimento,
Para não se entender, é labirinto.

Ninguém sufoca a voz nos seus retiros;
Da tempestade é o estrondo efeito:
Lá tem ecos a terra, o mar suspiros.

Mas oh do meu segredo alto conceito!
Pois não me chegam a vir à boca os tiros
Dos combates que vão dentro no peito.
> Gregório de Matos e Guerra

No soneto, o eu lírico
A) expressa um conflito que confirma a imagem pública do poeta, conhecido pelo epíteto de “o Boca do Inferno”.
B) opta por sufocar a própria voz como estratégia apaziguadora de suas perturbações de foro íntimo.
C) explora a censura que o autor sofreu em sua época, ao ser impedido de dar expressão aos seus sentimentos.
D) estabelece, nos tercetos, um contraponto semântico entre as metáforas da natureza e da guerra.
E) revela-se como um ser atormentado, ao mesmo tempo que omite a natureza de seu sofrimento.

Questão 09. 
Nun´Álvares Pereira

Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
Que o Rei Artur te deu.

´Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver!
> PESSOA, Fernando. In: A Coroa, Parte I. Mensagem.

A primeira parte de Mensagem, organizada como um correlativo poético do Brasão das Armas de Portugal, perfila uma série de figuras míticas e históricas que teriam sido responsáveis pela formação nacional portuguesa. A seleção de Nun´Álvares Pereira para ocupar o lugar da Coroa
A) sugere, pela imagem do halo de luz, que a verdadeira nobreza é de espírito.
B) destaca, através da referência ao mito arturiano, o seu sangue bretão.
C) distingue, por meio do substantivo “´sperança”, um regente digno de seu posto.
D) enaltece, pela repetição da palavra espada, a guerra como estrada para o futuro.
E) indica, associada ao adjetivo “consumada”, uma visão desenganada da história.

* * *

Instrução: Texto para as questões 10 e 11.
A taxação de livros tem um efeito cascata que acaba custando caro não apenas ao leitor, como também ao mercado editorial – que há anos não anda bem das pernas – e, em última instância, ao desenvolvimento econômico do país. A gente explica. Taxar um produto significa, quase sempre, um aumento no valor do produto final. Isso porque ao menos uma parte desse imposto será repassada ao consumidor, especialmente se considerarmos que as editoras e livrarias enfrentam há anos uma crise que agora está intensificada pela pandemia e não poderiam retirar o valor desse imposto de seu já apertado lucro. Livros mais caros também resultam em queda de vendas, que, por sua vez, enfraquece ainda mais editoras e as impede de investir em novas publicações – especialmente aquelas de menor apelo comercial, mas igualmente importantes para a pluralidade de ideias. Já deu para perceber a confusão, não é? Mas, além disso, qual seria o custo de uma sociedade com menos leitores e menos livros?
> ILHÉU, Taís. Por que taxar os livros pode gerar retrocesso social e econômico no país. Guia do Estudante, set. 2020 (Adaptação).

Questão 10. 
De acordo com o texto, os eventos sequenciais aos quais alude a expressão “efeito cascata” são:
A) livros mais caros, decréscimo de vendas, estímulo às editoras, supressão de investimento em novas publicações.
B) aumento do valor do produto final, queda de vendas, encolhimento das editoras, aumento do investimento em novas obras.
C) livros mais caros, instabilidade nas vendas, enfraquecimento das editoras, expansão das publicações.
D) aumento do valor do produto final, contração nas vendas, esgotamento das editoras, falta de investimento em novas publicações.
E) livros mais caros, equilíbrio nas vendas, diminuição das editoras, carência de investimento em novas publicações.

Questão 11. 
No texto, os pronomes em negrito referem-se, respectivamente, a:
A) taxação de livros, mercado editorial, crise, queda de vendas.
B) taxação de livros, leitor, crise, queda de vendas.
C) efeito cascata, mercado editorial, crise, queda de vendas.
D) efeito cascata, mercado editorial, livrarias, livros.
E) efeito cascata, leitor, crise, livros.

Questão 12. 
Chega um momento em que a tensão eu/mundo se exprime mediante uma perspectiva crítica, imanente à escrita, o que torna o romance não mais uma variante literária da rotina social, mas o seu avesso; logo, o oposto do discurso ideológico do homem médio. O romancista “imitaria” a vida, sim, mas qual vida? Aquela cujo sentido dramático escapa a homens e mulheres entorpecidos ou automatizados por seus hábitos cotidianos.
A vida como objeto de busca e construção, e não a vida como encadeamento de tempos vazios e inertes. Caso essa pobre vidamorte deva ser tematizada, ela aparecerá como tal, degradada, sem a aura positiva com que as palavras “realismo” e “realidade” são usadas nos discursos que fazem a apologia conformista da “vida como ela é”... A escrita da resistência, a narrativa atravessada pela tensão crítica, mostra, sem retórica nem alarde ideológico, que essa “vida como ela é” é, quase sempre, o ramerrão de um mecanismo alienante, precisamente o contrário da vida plena e digna de ser vivida. É nesse sentido que se pode dizer que a narrativa descobre a vida verdadeira, e que esta abraça e transcende a vida real. A literatura, com ser ficção, resiste à mentira.
É nesse horizonte que o espaço da literatura, considerado em geral como lugar da fantasia, pode ser o lugar da verdade mais exigente.
> BOSI, Alfredo. Narrativa e resistência (Adaptação).

O conceito de resistência, expresso pela tensão do indivíduo perante o mundo, adquire perspectiva crítica na escrita do romance quando o autor
A) rompe a superfície enganosa da realidade.
B) forja um realismo rente à vida mesquinha.
C) é neutro ao figurar a vacuidade do presente.
D) conserva o discurso positivo da ordem.
E) consegue sobrepor a fantasia à verdade.

* * *

Instrução: Texto para as questões 1314.
A escrita faz de tal modo parte de nossa civilização que poderia servir de definição dela própria. A história da humanidade se divide em duas imensas eras: antes e a partir da escrita. Talvez venha o dia de uma terceira era – depois da escrita. Vivemos os séculos da civilização escrita. Todas as nossas sociedades baseiam-se no escrito. A lei escrita substitui a lei oral, o contrato escrito substitui a convenção verbal, a religião escrita se seguiu à tradição lendária. E sobretudo não existe história que não se funde sobre textos.
> HIGOUNET, Charles. A história da escrita (Adaptação).

Questão 13. 
A escrita poderia servir de definição da nossa civilização, uma vez que
A) a terceira era está prestes a acontecer.
B) o escrito respalda as atividades humanas.
C) as convenções verbais substituíram o escrito.
D) a oralidade deixou de ser usada em períodos remotos.
E) os textos pararam de se modificar a partir da escrita.

Questão 14. 
A locução conjuntiva “de tal modo… que” e o advérbio “sobretudo”, respectivamente, expressam noção de:
A) conformidade e dúvida.
B) consequência e realce.
C) condição e negação.
D) consequência e negação.
E) condição e realce.

     Gabarito     

01. C
02. B
03. E
04. A
05. D

06. E
07. C
08. E
09. A
10. D

11. C
12. A
13. B
14. B




18 abril 2025

Questões de Língua Portuguesa (FUVEST-SP–2023)



Questão 01.

Família

Três meninos e duas meninas,
sendo uma ainda de colo.
A cozinheira preta,
a copeira mulata,
o papagaio,
o gato,
o cachorro,
as galinhas gordas no palmo de horta
e a mulher que trata de tudo.

A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
o cigarro, o trabalho, a reza,
a goiabada na sobremesa de domingo,
o palito nos dentes contentes,
o gramofone rouco toda noite
e a mulher que trata de tudo.

O agiota, o leiteiro, o turco,
o médico uma vez por mês,
o bilhete todas as semanas
branco! mas a esperança sempre verde.
A mulher que trata de tudo
e a felicidade.
> ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia.

No poema de Drummond,
A) a hierarquização dos substantivos que compõem a primeira estrofe tem a função de situar essa família na sociedade escravagista do século XIX.  
B) a repetição de um verbo de ação, em contraste com o caráter nominal dos versos, destaca a serventia da figura feminina na organização familiar.  
C) a ausência de menção direta ao homem produz um retrato reativo à família patriarcal, por salientar o protagonismo social da mulher.  
D) o modo como os elementos que compõem a terceira estrofe estão relacionados permite inferir a prosperidade econômica familiar.
E) o enquadramento da mulher no ambiente doméstico lança luz sobre um regime social que favorece a realização plena das potencialidades femininas.

* * *

Instrução: Texto para as questões 02 e 03.

Luc Boltanski e Ève Chiapello demonstram com clareza e sagacidade a capacidade antropofágica do capitalismo financeiro que “engole” a linguagem do protesto e da libertação para transformá-la e utilizá-la para legitimar a dominação social e política a partir do próprio mercado.

Na dimensão do mundo do trabalho, por exemplo, todo um novo vocabulário teve que ser inventado para escamotear as novas transformações e melhor oprimir o trabalhador. Com essa linguagem aparentemente libertadora, passa-se a impressão de que o ambiente de trabalho melhorou e o trabalhador se emancipou.

Assim houve um esforço dirigido para transformar o trabalhador em “colaborador”, para eufemizar e esconder a consciência de sua superexploração; tenta-se também exaltar os supostos valores de liderança para possibilitar que, a partir de agora, o próprio funcionário, não mais o patrão, passe a controlar e vigiar o colega de trabalho. Ou, ainda, há a intenção de difundir a cultura do empreendedorismo, segundo a qual todo mundo pode ser empresário de si mesmo. E, o mais importante, se ele falhar nessa empreitada, a culpa é apenas dele. É necessário sempre culpar individualmente a vítima pelo fracasso socialmente construído.
> SOUZA, Jessé. Como o racismo criou o Brasil. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2021.

Questão 02.
De acordo com o texto, o uso de “colaborador” no lugar de“trabalhador”, no campo das relações de trabalho, indica
A) o apagamento da linguagem de reivindicação e a falsa ideia de um trabalhador fortalecido.
B) a valorização do trabalhador vigiado pelo Estado nas tradicionais relações empregatícias.
C) a difusão da cultura da meritocracia, que fortalece as relações do trabalhador com o Estado.
D) a consciência do patrão que rejeita a cultura do neoliberalismo.
E) o impedimento de o trabalhador investir na prática do empreendedorismo.

Questão 03.
O uso dos verbos “passar” (2º parágrafo) e “tentar” (3º parágrafo) no texto, em sua forma pronominal, revela
A) adequação à forma analítica da voz passiva.
B) construção com conjunção integrante.
C) marcação da impessoalidade do discurso.
D) informalidade correspondente ao gênero discursivo.
E) ênfase na reciprocidade da linguagem.

Questão 04.
Disponível em: https://tirasarmandinho.tumblr.com/ (Adaptação).

Os verbos “detonar” e “avariar”, no texto, são exemplos de
A) usos linguísticos próprios de gêneros da área jurídica.
B) termos cujos sentidos se contradizem na composição da tira.
C) vocábulos empregados informalmente.
D) recursos linguísticos inadequados à situação de comunicação.
E) escolhas vocabulares associadas ao contexto de cada personagem.

Questão 05.
Mas não medimos os tempos que passam, quando os medimos pela sensibilidade. Quem pode medir os tempos passados que já não existem ou os futuros que ainda não chegaram? Só se alguém se atrever a dizer que pode medir o que não existe!
Quando está decorrendo o tempo, pode percebê-lo e medi-lo. Quando, porém, já estiver decorrido, não o pode perceber nem medir, porque esse tempo já não existe.
> Santo Agostinho. Confissões.

O tempo físico e o tempo psicológico se diferenciam na medida em que o primeiro se firma na objetividade e o segundo, na subjetividade. De acordo com os argumentos de Santo Agostinho, pode-se dizer que, no romance Angústia, de Graciliano Ramos, a passagem que melhor exprime a duração interior é:
A) “– 1910. Minto, 1911. 1911, Manuel?”
B) “Os galos marcavam o tempo, importunavam mais que os relógios.”
C) “Julião Tavares ia afastar-se, dissipar-se, virar neblina.”
D) “Mas no tempo não havia horas.”
E) “O espírito de Deus boiava sobre as águas.”

Questão 06.
Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte
Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte
E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu lado
E assim já não posso sofrer no ano passado

Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro
> SUJEITO de sorte. Compositor: Belchior.

Leia as seguintes afirmações a respeito da letra da música:
I. Os adjuntos adverbiais temporais remetem a um contraste entre passado e presente, o que reforça o caráter metafórico do texto.
II. A locução “apesar de” contribui para a expressão de um sentimento inesperado em relação ao sentido de “muito moço”.
III. As formas verbais “morri” e “morro”, embora se refi ram a momentos distintos, apresentam sentido denotativo.

Está correto o que se afirma em:
A) I, apenas.
B) II, apenas.
C) I e II, apenas.
D) II e III, apenas.
E) I, II e III.

* * *

Instrução: Texto para as questões 07 e 08.

O Quinto Império

Triste de quem vive em casa
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!

Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz –
Ter por vida a sepultura.

Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem.
Que as forças cegas se domem
Pela visão que a alma tem!

E assim, passados os quatro
Tempos do ser que sonhou,
A terra será teatro
Do dia claro, que no atro
Da erma noite começou.

Grécia, Roma, Cristandade,
Europa – os quatro se vão
Para onde vai toda idade.
Quem vem viver a verdade
Que morreu D. Sebastião?
> PESSOA, Fernando. Mensagem.

Questão 07.
De acordo com o texto, a ideia de felicidade, também nuclear em outros poemas de Mensagem,
A) alimenta as aspirações humanas.
B) compreende-se como superação da morte.
C) identifica-se com o destino heroico.
D) compõe a mediocridade cotidiana.
E) situa-se como finalidade da existência.
  
Questão 08.
Mensagem reconduz a história de Portugal a partir de uma reinterpretação do tempo histórico. No poema, o tempo é encarado segundo uma concepção
A) nostálgica, devido à presença de modelos situados no passado.
B) materialista, por efeito da aspiração burguesa de um lar confortável.
C) mística, em razão do prognóstico de um futuro metafísico.
D) biológica, por mérito da aceitação do ciclo natural da existência.
E) psicológica, em virtude da referência ao substantivo “sonho”.

Questão 09.
Eu quase fui um índio sacana, como meu tio. [...] Desses índio que são índio pela metade. Ou seja, qui nem índio, nem branco, nem cholo, nem negro, nem serrano, nem costeiro, nem camponês, nem equatoriano, nem estrangeiro, nem nada. Índio sacana, claro. Índio qu’está à vista de toda gente e ninguém vê, qu’está mesminho nas ruas todos os dias, caminhando pra lá pra cá, buscando trabalho nas porta de gente rica, de jardineiro, de mensageiro, cuidador de cachorros, saloneiro, caseiro, criador de crianças, de toda classe de trabalho. Chofer. O Equador está cheinho de índio sacana assim. Desse tipo d’índio que não é nada.
CARVALHO-NETO, Paulo de. Meu tio Atahualpa. Rio de Janeiro: Salamandra, 1978.

A expressão “índio sacana”, presente no texto, faz referência a:
A) Uma parcela da população indígena caracterizada por sua autonomia e resistência às formas pós-coloniais de dominação.
B) Um grupo social cuja inserção na sociedade equatoriana foi complexa e limitada.
C) Uma etnia que historicamente alcançou a emancipação política e social por meio da assimilação da cultura europeia.
D) Um conjunto de indivíduos de nacionalidade estrangeira cujos hábitos e costumes contrastavam com os da população local.
E) Um segmento que ganhou visibilidade por ocupar posições sociais de prestígio.
  
Questão 10.
Migna terra tê parmeras
Che ganta inzima o sabiá.
As aves che stó aqui,
Tambê tuttos sabi gorgeá.
[...]
Os rio lá sô maise grandi
Dus rio di tuttas naçó;
I os matto si perdi di vista,
Nu meio da imensidó.
> BANANÉRE, Juó. Migna terra. La Divina Increnca. São Paulo: Irmãos Marrano Editora, 1924.

Assinale a alternativa que melhor expressa as relações entre o poema e a inserção social de imigrantes italianos no Brasil.
A) O poema traça uma analogia entre a paisagem natural da Itália e do Brasil, sob os olhos de um imigrante.
B) A referência à oralidade era um reconhecimento à contribuição desta comunidade para a nova literatura brasileira.
C) O poema tematiza a revolta dos imigrantes camponeses italianos ao chegarem nas fazendas de café.
D) O caráter lírico presente no poema indica a emotividade e o desejo de aceitação por parte dos imigrantes.
E) A linguagem adotada no poema expressava uma maneira caricata de representar o idioma daquela comunidade.

Questão 11. 
Disponível em: https://incrivel.club/admiracao-fotografia/ (Adaptação)

Com base na peça publicitária da Anistia Internacional, é correto afirmar que
A) a correlação verbo-visual, reforçada pela polissemia do verbo “desligar”, contrapõe quem vive e quem observa a guerra.
B) os pronomes “você” e “eles” indicam compatibilidade ideológica entre grupos de regiões diferentes.
C) a linguagem visual impede a conscientização acerca das realidades das zonas de guerra.
D) a omissão do verbo no segundo período do texto coloca o leitor como participante da guerra.
E) os recursos visuais possuem independência da expressão linguística na interpretação da publicidade.


     Gabarito     

01. B
02. A
03. C
04. E
05. D
06. C
07. D
08. C
09. B
10. E
11. A