12 julho 2019

O Navio Negreiro



Por Castro Alves

I

'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.

'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...

'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...

'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...

Donde vem? onde vai?  Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam, 
Galopam, voam, mas não deixam traço.

Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!

Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!

Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!

Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
..........................................................

Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!

Albatroz!  Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz!  Albatroz! dá-me estas asas.


II

   
Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.

Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!

O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!

Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu ...
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu! ...


III

   
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!



IV

     
Era um sonho dantesco... o tombadilho 
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite... 
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...

Negras mulheres, suspendendo às tetas 
Magras crianças, cujas bocas pretas 
Rega o sangue das mães: 
Outras moças, mas nuas e espantadas, 
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente 
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala, 
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...

Presa nos elos de uma só cadeia, 
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece, 
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."

E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
          Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
          E ri-se Satanás!... 


V

   
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são?   Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...

São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .

São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.

Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!...

Depois, o areal extenso...
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.

Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...


VI

       
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio.  Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!

A um bruxo, com amor


Por Carlos Drummond de Andrade

Em certa casa da Rua Cosme Velho
(que se abre no vazio)
venho visitar-te; e me recebes
na sala trajestada com simplicidade
onde pensamentos idos e vividos
perdem o amarelo
de novo interrogando o céu e a noite.

Outros leram da vida um capítulo, tu leste o livro inteiro.
Daí esse cansaço nos gestos e, filtrada,
uma luz que não vem de parte alguma
pois todos os castiçais
estão apagados.

Contas a meia voz
maneiras de amar e de compor os ministérios
e deitá-los abaixo, entre malinas
e bruxelas.
Conheces a fundo
a geologia moral dos Lobo Neves
e essa espécie de olhos derramados
que não foram feitos para ciumentos.

E ficas mirando o ratinho meio cadáver
com a polida, minuciosa curiosidade
de quem saboreia por tabela
o prazer de Fortunato, vivisseccionista amador.
Olhas para a guerra, o murro, a facada
como para uma simples quebra da monotonia universal
e tens no rosto antigo
uma expressão a que não acho nome certo
(das sensações do mundo a mais sutil):
volúpia do aborrecimento?
ou, grande lascivo, do nada?

O vento que rola do Silvestre leva o diálogo,
e o mesmo som do relógio, lento, igual e seco,
tal um pigarro que parece vir do tempo da Stoltz e do gabinete Paraná,
mostra que os homens morreram.
A terra está nua deles.
Contudo, em longe recanto,
a ramagem começa a sussurar alguma coisa
que não se estende logo
a parece a canção das manhãs novas.
Bem a distingo, ronda clara:
É Flora,
com olhos dotados de um mover particular
ente mavioso e pensativo;
Marcela, a rir com expressão cândida (e outra coisa);
Virgília,
cujos olhos dão a sensação singular de luz úmida;
Mariana, que os tem redondos e namorados;
e Sancha, de olhos intimativos;
e os grandes, de Capitu, abertos como a vaga do mar lá fora,
o mar que fala a mesma linguagem
obscura e nova de D. Severina
e das chinelinhas de alcova de Conceição.
A todas decifrastes íris e braços
e delas disseste a razão última e refolhada
moça, flor mulher flor
canção de mulher nova...
E ao pé dessa música dissimulas (ou insinuas, quem sabe)
o turvo grunhir dos porcos, troça concentrada e filosófica
entre loucos que riem de ser loucos
e os que vão à Rua da Misericórdia e não a encontram.
O eflúvio da manhã,
quem o pede ao crepúsculo da tarde?
Uma presença, o clarineta,
vai pé ante pé procurar o remédio,
mas haverá remédio para existir
senão existir?
E, para os dias mais ásperos, além
da cocaína moral dos bons livros?
Que crime cometemos além de viver
e porventura o de amar
não se sabe a quem, mas amar?

Todos os cemitérios se parecem,
e não pousas em nenhum deles, mas onde a dúvida
apalpa o mármore da verdade, a descobrir
a fenda necessária;
onde o diabo joga dama com o destino,
estás sempre aí, bruxo alusivo e zombeteiro,
que resolves em mim tantos enigmas.

Um som remoto e brando
rompe em meio a embriões e ruínas,
eternas exéquias e aleluias eternas,
e chega ao despistamento de teu pencenê.
O estribeiro Oblivion
bate à porta e chama ao espetáculo
promovido para divertir o planeta Saturno.
Dás volta à chave,
envolves-te na capa,
e qual novo Ariel, sem mais resposta,
sais pela janela, dissolves-te no ar.

04 julho 2019

Paranoia ou Mistificação, de Monteiro Lobato


Este artigo foi publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 20 de dezembro de 1917, com o título "A Propósito da Exposição Malfatti", provocando a polêmica que afastaria os modernistas de Monteiro Lobato. 

Por Monteiro Lobato

Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que vêem normalmente as coisas e em consequência disso fazem arte pura, guardando os eternos ritmos da vida, e adotados para a concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres. Quem trilha por esta senda, se tem gênio, é Praxíteles na Grécia, é Rafael na Itália, é Rembrandt na Holanda, é Rubens na Flandres, é Reynolds na Inglaterra, é Leubach na Alemanha, é Iorn na Suécia, é Rodin na França, é Zuloaga na Espanha. Se tem apenas talento, vai engrossar a plêiade de satélites que gravitam em torno daqueles sóis imorredouros. A outra espécie é formada pelos que vêem anormalmente a natureza, e interpretam-na à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. São produtos do cansaço e do sadismo de todos os períodos de decadência: são frutos de fins de estação, bichados ao nascedouro. Estrelas cadentes, brilham um instante, as mais das vezes com a luz do escândalo, e somem-se logo nas trevas do esquecimento. Embora eles se dêem como novos precursores duma arte a vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou teratológica: nasceu com a paranóia e com a mistificação. De há muito já que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios. A única diferença reside em que nos manicômios esta arte é sincera, produto ilógico de cérebros transtornados pelas mais estranhas psicoses; e fora deles, nas exposições públicas, zabumbadas pela imprensa e absorvidas por americanos malucos, não há sinceridade nenhuma, nem nenhuma lógica, sendo mistificação pura.

Todas as artes são regidas por princípios imutáveis, leis fundamentais que não dependem do tempo nem da latitude. As medidas de proporção e equilíbrio, na forma ou na cor, decorrem do que chamamos sentir. Quando as sensações do mundo externo transformam-se em impressões cerebrais, nós "sentimos"; para que sintamos de maneira diversa, cúbica ou futurista, é forçoso ou que a harmonia do universo sofra completa alteração, ou que o nosso cérebro esteja em "pane" por virtude de alguma grave lesão. Enquanto a percepção sensorial se fizer normalmente no homem, através da porta comum dos cinco sentidos, um artista diante de um gato não poderá "sentir" senão um gato, e é falsa a "interpretação" que do bichano fizer um "totó", um escaravelho, um amontoado de cubos transparentes.

Estas considerações são provocadas pela exposição da Sra. Malfatti, onde se notam acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso e companhia. Essa artista possui um talento vigoroso, fora do comum. Poucas vezes, através de uma obra torcida para má direção, se notam tantas e tão preciosas qualidades latentes. Percebe-se de qualquer daqueles quadrinhos como a sua autora é independente, como é original, como é inventiva, em que alto grau possui um sem-número de qualidades inatas e adquiridas das mais fecundas para construir uma sólida individualidade artística. Entretanto, seduzida pelas teorias do que ela chama arte moderna, penetrou nos domínios dum impressionismo discutibilíssimo, e põe todo o seu talento a serviço duma nova espécie de caricatura.

Sejamos sinceros: futurismo, cubismo, impressionismo e tutti quanti não passam de outros tantos ramos da arte caricatural. É a extensão da caricatura a regiões onde não havia até agora penetrado. Caricatura da cor, caricatura da forma - caricatura que não visa, como a primitiva, ressaltar uma idéia cômica, mas sim desnortear, aparvalhar o espectador. A fisionomia de quem sai de uma dessas exposições é das mais sugestivas. Nenhuma impressão de prazer, ou de beleza, denunciam as caras; em todas, porém, se lê o desapontamento de quem está incerto, duvidoso de si próprio e dos outros, incapaz de raciocinar, e muito desconfiado de que o mistificam habilmente. Outros, certos críticos sobretudo, aproveitam a vaza para épater les bourgeois. Teorizam aquilo com grande dispêndio de palavrório técnico, descobrem nas telas intenções e subintenções inacessíveis ao vulgo, justificam-nas com a independência de interpretação do artista e concluem que o público é uma cavalgadura e eles, os entendidos, um pugilo genial de iniciados da Estética Oculta. No fundo, riem-se uns dos outros, o artista do crítico, o crítico do pintor, e o público de ambos.

Há de ter essa artista ouvido numerosos elogios à sua nova atitude estética. Há de irritar-lhe os ouvidos, como descortês impertinência, esta voz sincera que vem quebrar a harmonia de um coro de lisonjas. Entretanto, se refletir um bocado, verá que a lisonja mata e a sinceridade salva. O verdadeiro amigo de um artista não é aquele que o entontece de louvores e sim o que lhe dá uma opinião sincera, embora dura, e lhe traduz chãmente, sem reservas, o que todos pensam dele por detrás. Os homens têm o vezo de não tomar a sério as mulheres. Essa é a razão de lhes darem sempre amabilidades quando pedem opiniões. Tal cavalheirismo é falso, e sobre falso, nocivo. Quantos talentos de primeira água se não transviaram arrastados por maus caminhos pelo elogio incondicional e mentiroso? Se víssemos na Sra. Malfatti apenas "uma moça que pinta", como há centenas por aí, sem denunciar centelha de talento, calar-nos-íamos, ou talvez lhe déssemos meia dúzia desses adjetivos "bombons", que a crítica açucarada tem sempre à mão em se tratando de moças. Julgamo-la, porém, merecedora da alta homenagem que é tomar a sério o seu talento dando a respeito da sua arte uma opinião sinceríssima, e valiosa pelo fato de ser o reflexo da opinião do público sensato, dos críticos, dos amadores, dos artistas seus colegas e... dos seus apologistas.

Dos seus apologistas sim, porque também eles pensam deste modo...  por trás.



Poema de sete faces (e outras faces)


O Poema de sete faces abre o primeiro livro de poesias de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1930. O poema é uma espécie de certidão de nascimento do eu lírico e nele estão presentes alguns temas que serão constantes na poesia do poeta mineiro.



Sendo extremamente conhecido, não é de se estranhar que o poema tenha sido referenciado e parodiado, seja por grandes artistas, seja por anônimos da internet. Abaixo, trago o poema original e algumas releituras e paródias deste texto tão fascinante.




Poema de sete faces

Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.


Poem of Seven Faces 

Carlos Drummond de Andrade

When I was born, a twisted angel,
one of those who live in the shadow,
said: Go, Carlos! be gauche in life.

The houses spy on men
who chase after women.
The evening might have been blue,
had there not been so many desires.

The streetcar passes by full of legs:
white, black, yellow legs.
My God, my heart asks, why so many legs?
And yet my eyes
question nothing.

The man behind the mustache
is serious, simple and strong.
He seldom talks.
He has a few, rare friends
the man behind the glasses and the mustache.

My Lord, why did you abandon me
since you knew that I wasn't God
since you knew that I was weak.

World, world, vast world,
if my name was Twirled
it'd be a rhyme, it wouldn't be a solution.
World, world, vast world,
even vaster is my heart.

I shouldn't tell you
but this moon
but this cognac
shake a person up like hell

Disponível em: <http://www.rosangelaliberti.recantodasletras.com.br/blog.php?idb=5055>. Acesso em: 04 jul. 2019.


Com licença poética

Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Disponível em: <http://www.rosangelaliberti.recantodasletras.com.br/blog.php?idb=5055>. Acesso em: 04 jul. 2019.


Até o fim

Chico Buarque

Quando nasci veio um anjo safado
O chato dum querubim
E decretou que eu tava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim

Inda garoto deixei de ir à escola
Cassaram meu boletim
Não sou ladrão, eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim

Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em Quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim

Por conta de umas questões paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga, minha mula empacou
Mas vou até o fim

Não tem cigarro, acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim?
Eu já nem lembro pronde mesmo que vou
Mas vou até o fim

Como já disse era um anjo safado
O chato dum querubim
Que decretou que eu tava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim

Disponível em: <http://tagarelicesoblog.blogspot.com/2011/11/mais-intertextualidade-o-anjo-torto-e.html>. Acesso em: 04 jul. 2019.


Poema de oito de março (Releitura: poema de sete faces)

Leticia Begnini

Quando nasci, um anjo determinado
 desses que não vivem na sombra me disse
Vai, mulher! Ser luta na vida

As casas perdoam os homens que
correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse roxa,
não houvesse tantos preceitos

O bonde passa cheio de pernas inadequadadas
pernas brancas pretas amarelas
Pra que tanta perna, meu deus, pergunta meu coração
Meus olhos, baixos, porem não perguntam nada

O homem atrás do bigode é sério,
incisivo e forte.
Quase não conversa. Tem muito,
imenso apoio dos amigos.

O abuso atrás dos sorrisos e do bigode.

Meu Deus, por que me enfeitaste
se sabias que eu não era como Eles
se sabias que eu pareceria frágil.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria ouvida, seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essas flores
mas esses cartazes
botam a gente indignada como o diabo.

Disponível em: <https://procurasepalavras.wixsite.com/procura-se-palavras/single-post/2017/03/08/Poema-de-oito-de-mar%C3%A7o-Releitura-poema-de-sete-faces>. Acesso em: 04 jul. 2019.


Poema de sete faces - Paródia

Gertrudes

Quando nasci, um anjo caído e esquisito,
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Gertrudes! ser inconstante na vida.

As abrigos espiam as meninas
que correm atrás de bonecas.
Para serem como elas,
Cabelos loiros e corpo escultural.

A lotação passa cheia de pés:
pés com tênis, chinelos ou descalços.
Para que tanta diferença, meu Deus, pergunto-me baixinho.
Porém meus tênis,
continuam nos meus pés.

A mulher atrás dos óculos
é sorridente, bonita e forte.
Quase não chora.
Tem muitos amigos
a mulher atrás dos óculos e do sorriso,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraca.

Coração, coração, vasto coração,
se eu me chamasse Conceição
seria uma rima, não seria uma solução.
Coração, coração, vasto coração,
mais vasta é a minha ilusão.

Eu não devia lhe dizer
mas esse tédio
mas esse mundo
botam-me mais cinza que o diabo.

Disponível em: <http://aspulsacoes.blogspot.com/2010/01/poema-de-sete-faces-parodia.html>. Acesso em: 04 jul. 2019.


Paródia tendo por base o poema de Sete Faces de Drummond (1930)

Nayara Soutilha

Quando nasci, um anjo anômalo
desses que vivem na irregularidade
disse: Vai, Nay! Desce e samba na cara da sociedade.

Às vezes me conheço e desconheço
sou como o tempo
posso mudar a qualquer momento.

As pessoas com seus tons variados
essa diversidade é encantadora,
cada um com seu próprio DNA e sua tão ilusória retina.
Mas me pergunto, meu Deus, por que há o preconceito?
Já que somos a mistura de tudo e todos!

O homem atrás do corpo ideal
e as mulheres da perfeição.
Tudo isso é desnecessário, ser você mesmo é o ideal.

Quero mais sacanagem, mais pro atividade,
mais aventura, mais certezas e menos não sei!
Será possível meu Deus?

Mundo imenso esse que nós habitamos.
Mundo esse cheio de segredos.
Esse mundo é tão louco quanto a minha própria loucura.

Eu não devia te dizer isso
Mas essa pizza com cheddar
mais essa coca-cola
está tão bom quanto pintar com “lukscolor”.

Disponível em: <https://anomalians.tumblr.com/post/113560403261/par%C3%B3dia-tendo-por-base-o-poema-de-sete-faces-de/amp>. Acesso em: 04 jul. 2019.

10 citações curtas de Machado de Assis


Sempre atual, Machado de Assis criou frases memoráveis em suas obras. Abaixo, apenas algumas.

"Não se ama duas vezes a mesma mulher."
(Memórias póstumas de Brás Cubas)

"Suporta-se com paciência a cólica do próximo."
(Memórias póstumas de Brás Cubas)

Matamos o tempo; o tempo nos enterra.
(Memórias póstumas de Brás Cubas)

Crê em ti; mas nem sempre duvides dos outros.
(Memórias póstumas de Brás Cubas)

Não se compreende que um botocudo fure o beiço para enfeitá-lo com um pedaço de pau. Esta reflexão é a de um joalheiro.
(Memórias póstumas de Brás Cubas)

Não te irrites se te pagarem mal um benefício: antes cair das nuvens, que de um terceiro andar.
(Memórias póstumas de Brás Cubas)

"O maior pecado, depois do pecado, é a publicação do pecado."
(Quincas Borba)

"O melhor drama está no espectador e não no palco."
(A chinela turca)

"Importuna coisa é a felicidade alheia quando somos vítima de algum infortúnio."
(O parasita azul)

"Verdade é que, se todos os gostos fossem iguais, o que seria do amarelo?"
(O alienista)


Bônus:

"Achei Machado de Assis excepcionalmente espirituoso, dono de uma perspectiva sofisticada e contemporânea, o que é incomum, já que o livro [Memórias Póstumas de Brás Cubas] foi escrito há tantos anos. Fiquei muito surpreso. É muito sofisticado, divertido, irônico. Alguns dirão: ele é cínico. Eu diria que Machado de Assis é realista."
(Woody Allen, diretor de cinema norte-americano)


Disponível em: <https://pt.wikiquote.org/wiki/Machado_de_Assis>. Acesso em: 04 jul. 2019.

26 maio 2019

Como começa cada um dos 9 romances de Machado de Assis?



Ressurreição (1872)

Naquele dia, — já lá vão dez anos! — o Dr. Félix levantou-se tarde, abriu a janela e cumprimentou o sol. O dia estava esplêndido; uma fresca bafagem do mar vinha quebrar um pouco os ardores do estio; algumas raras nuvenzinhas brancas, finas e transparentes se destacavam no azul do céu. Chilreavam na chácara vizinha à casa do doutor algumas aves afeitas à vida semi-urbana, semi-silvestre que lhes pode oferecer uma chácara nas Laranjeiras. Parecia que toda a natureza colaborava na inauguração do ano. Aqueles para quem a idade já desfez o viço dos primeiros tempos, não se terão esquecido do fervor com que esse dia é saudado na meninice e na adolescência. Tudo nos parece melhor e mais belo, — fruto da nossa ilusão, — e alegres com vermos o anobque desponta, não reparamos que ele é também um passo para a morte.


A mão e a luva (1874)

— Mas o que pretendes fazer agora?
— Morrer.
— Morrer? Que ideia! Deixa-te disso, Estevão. Não se morre por tão pouco...
— Morre-se. Quem não padece estas dores não as pode avaliar. O golpe foi profundo, e o meu coração é pusilânime; por mais aborrecível que pareça a ideia da morte, pior, muito pior do que ela, é a de viver. Ah! tu não sabes o que isto é?
— Sei: um namoro gorado...
— Luís!
— ...E se em cada caso de namoro gorado morresse um homem, tinha já diminuído muito o gênero humano, e Maltus perderia o latim. Anda, sobe.


Helena (1876)

O Conselheiro Vale morreu às 7 horas da noite de 25 de abril de 1859. Morreu de apoplexia fulminante, pouco depois de cochilar a sesta, — segundo costumava dizer, — e quando se preparava a ir jogar a usual partida de voltarete em casa de um desembargador, seu amigo. O Dr. Camargo, chamado à pressa, nem chegou a tempo de empregar os recursos da ciência; o Padre Melchior não pôde dar-lhe as consolações da religião: a morte fora instantânea.


Iaiá Garcia (1878)

Luís Garcia transpunha a soleira da porta, para sair, quando apareceu um criado e lhe entregou esta carta:
  
“5 de outubro de 1866.
Sr. Luís Garcia — Peço-lhe o favor de vir falar-me hoje, de uma a duas horas da tarde. Preciso de seus conselhos, e talvez de seus obséquios. — VALÉRIA.”

— Diga que irei. A senhora está cá no morro?
— Não, senhor, está na Rua dos Inválidos.


Memórias póstumas de Brás Cubas (1881)

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.


Quincas Borba (1891)

Rubião fitava a enseada, — eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade. 
  
— Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça... 


Dom Casmurro (1899)

Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da Lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.
— Continue, disse eu acordando.
— Já acabei, murmurou ele.
— São muito bonitos. 


Esaú e Jacó (1904)

Era a primeira vez que as duas iam ao Morro do Castelo. Começaram de subir pelo lado da Rua do Carmo. Muita gente há no Rio de Janeiro que nunca lá foi, muita haverá morrido, muita mais nascerá e morrerá sem lá pôr os pés. Nem todos podem dizer que conhecem uma cidade inteira. Um velho inglês, que aliás andara terras e terras, confiava-me há muitos anos em Londres que de Londres só conhecia bem o seu clube, e era o que lhe bastava da metrópole e do mundo. 


Memorial de Aires (1908)

1888
9 de janeiro

Ora bem, faz hoje um ano que voltei definitivamente da Europa. O que me lembrou esta data foi, estando a beber café, o pregão de um vendedor de vassouras e espanadores: "Vai vassouras! vai espanadores!" Costumo ouvi-lo outras manhãs, mas desta vez trouxe-me à memória o dia do desembarque, quando cheguei aposentado à minha terra, ao meu Catete, à minha língua. Era o mesmo que ouvi há um ano, em 1887, e talvez fosse a mesma boca.
Durante os meus trinta e tantos anos de diplomacia algumas vezes vim ao Brasil, com licença. O mais do tempo vivi fora, em várias partes, e não foi pouco. Cuidei que não acabaria de me habituar novamente a esta outra vida de cá. Pois acabei. Certamente ainda me lembram coisas e pessoas de longe, diversões, paisagens, costumes, mas não morro de saudades por nada. Aqui estou, aqui vivo, aqui morrerei. 


Todos os textos foram retirados de machado.mec.gov.br


14 março 2019

Redação: Lista de Conectivos


Conectivos para redação.

Conectivos  Exemplos
de conclusão portanto, em suma, em resumo, enfim, em síntese, em conclusão
de adição além disso, ainda por cima, por outro lado, também, e, enfim
de dúvida talvez, quem sabe, pode ser, possivelmente, provavelmente
de certeza e
ênfase
certamente, com toda a certeza, sem dúvida, inegavelmente
de prioridade primeiramente, em primeiro lugar, antes de tudo, acima de tudo, sobretudo
de contraste, oposição,
restrição, ressalva
em contraste com, porém, pelo contrário, contudo, entretanto, no entanto, não obstante, mas, exceto, menos salvo
de surpresa inesperadamente, surpreendentemente
de tempo (frequência,
duração, eventualidade)
anteriormente, raramente, enfim, então, a princípio, por fim, atualmente, antigamente, constantemente, Às vezes, diariamente, enquanto isso, nesse meio tempo, imediatamente, finalmente
de intenção, propósito
e finalidade
propositadamente, com o propósito, intencionalmente
de esclarecimento
e ilustração
quer dizer, em outras palavras, por exemplo, isto é
de consequência
e causa
assim, de fato, como resultado, por causa de, por conseguinte, por isso, em virtude de, de fato, com efeito, porquanto
de semelhança igualmente, assim também, de acordo com, de maneira idêntica, segundo, conforme

ENEM: Todos os Temas de Redação



Ano    Tema
2018 Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet
2017 Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil
2016 Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
2015 A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira
2014 Publicidade infantil em questão no Brasil
2013 Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil
2012 Movimento imigratório para o Brasil no século 21
2011 Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado
2010 O trabalho na construção da dignidade humana
2009 O indivíduo frente à ética nacional
2008 Como preservar a floresta Amazônica: suspender imediatamente o desmatamento; dar incentivo financeiros a proprietários que deixarem de desmatar; ou aumentar a fiscalização e aplicar multas a quem desmatar
2007 O desafio de se conviver com as diferenças
2006 O poder de transformação da leitura
2005 O trabalho infantil na sociedade brasileira
2004 Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação
2003 A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo
2002 Direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais que o Brasil necessita?
2001 Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?
2000 Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio nacional
1999 Cidadania e participação social
1998 Viver e aprender

27 fevereiro 2019


26 fevereiro 2019





Gêneros Textuais: Texto Dissertativo-Argumentativo



Material a respeito do Dissertativo-Argumentativo

  1. O parágrafo do Texto Dissertativo-Argumentativo

Exemplos de Texto Dissertativo-Argumentativo

  1. ENEM: Redações nota 1000



REFERÊNCIAS:

Fontana, Niura Maria. Práticas de linguagem: gêneros discursivos e interação / Niura maria Fontana, Neires Maria Soldatelli Paviani, Isabel Maria Paese Pressanto. - Caxias do Sul, RS: Educs, 2009.

Operadores Argumentativos




Operadores Argumentativos
Operações Realizadas
até, até mesmo, mesmo; no mínimo, ao menos, inclusive, nem mesmo, muito menos
situam os fatos numa escala de argumentos (anunciados dispostos em gradações diferentes na mesma escala argumentativa), marcando os mais fracos ou os mais contundentes
e, nem, além disso, também, além de, não só... como também
somam-se a outros, objetivando a mesma conclusão (encadeiam enunciados de escalas argumentativas diferentes, orientadas no mesmo sentido)
isto é, quer dizer, ou seja, pois, porque, em outras palavras
introduzem uma explicação, um esclarecimento a um enunciado anterior
aliás, além do mais
introduzem um argumento decisivo e podem anular o argumento anterior
ainda
expressam algo que perdura no tempo de modo inesperado
marcam a antecipação de um fato no tempo (no presente ou no passado) ou mudança de estado
na verdade
expressam a versão considerada verdadeira pelo locutor
logo, portanto, assim, então, visto que, por isso, pois, por conseguinte, em decorrência
exprimem conclusão / consequência daquilo que foi expresso anteriormente (funcionam mais como tese do que como argumentos)
se, caso, contanto que, desde que
indicam condição
quando, logo, assim que, depois que, antes que
expressam tempo
para, a fim de que, com propósito de
indicam finalidade
mas, porém, embora, todavia, entretanto, contudo, apesar de, já, agora
contrapõem-se a outro visando a uma conclusão contrária
ou, ou... ou, quer... quer
expressam alternância (disjunção)
como, mais que, tanto / tão... como, mais... do que, assim como, tanto... quanto
estabelecem relação de comparação entre ideias / intenções
porque, pois, como, já que, uma vez que
apresentam uma causa em relação ao que já foi dito
quase, apenas, somente...
orientam a conclusão para uma afirmação ou negação

Gêneros Textuais: Texto de Opinião


O Texto de Opinião, ou Artigo de Opinião, é um gênero textual muito cobrado no vestibular da UFU (Universidade Federal de Uberlândia). Abaixo, algumas informações importantes sobre o gênero.

O que é
É um gênero discursivo que defende um ponto de vista sobre um tema geralmente polêmico, buscando convencer o leitor. É sempre assinado e pode ser escrito na primeira pessoa.

Quem escreve
Jornalista ou colaborador de jornal ou revista, considerado autoridade na área/no tópico.

Propósito
Convencer o leitor a aderir à posição tomada pelo autor.

Onde circula
Em âmbito geral amplo, em jornais e revistas (impressos ou virtuais).

Quando
Diariamente, semanalmente, quinzenalmente, mensalmente, de acordo com a periodicidade do veículo.

Quem lê
Principalmente adultos, com um nível de instrução médio ou superior (profissionais, aposentados, estudantes, donas de casa...).

Por que lê
Para informar-se e formar opinião sobre temas polêmicos.

Possível influência da leitura
Tomada de posição alinhada com a do autor, ou contrária a ela, quando os argumentos não forem convincentes.

Reação em resposta à leitura
Comentários nos círculos familiares, profissionais e de amigos;
Manifestação ao veículo através de e-mail e telefonema ou de carta do leitor.

Estrutura textual prototípica (usual)
Texto argumentativo, apresentando uma ou mais teses (posições) sobre um tema, geralmente combinadas com argumentos para defendê-las (evidências, provas, racionalização, exemplos, citações);
Contextualização inicial (abordagem geral), detalhamento, problema, análise, tese, argumentos, conclusão (ideia geral ou convite à ação).

Mecanismos linguísticos
Apresentação de informações e ideias de outros autores (citação direta ou indireta, a partir de verbos de dizer e de expressões de conformidade: segundo fulano; de acordo om sicrano; fulano diz / afirma / adverte / contrapõe / argumenta / questiona...);
Emprego de conectores que introduzem argumentos (já que, visto que, pois, posto que, dado que);
Emprego de conectores que acrescentam argumentos (também, e, além disso, mais, ainda);
Emprego de conectores que expressam oposição (no entanto, mas, porém, contudo, todavia) ou concessão (embora, apesar de);
Emprego de conectores que expressam conclusão (portanto, assim, assim sendo, deste modo);
Predomínio do uso do presente do indicativo.

Exigências do Vestibular da UFU
Título, Máscara, Paráfrase e Assinatura (José ou Josefa).

Exemplos de Texto de Opinião
  1. Artigo de Opinião (exemplo): A alegoria dos 4 continentes, ou como ser para sempre o país do futuro
  2. Artigo de Opinião (exemplo): Defende a natureza e deixa a gente morrer de fome?
  3. Artigo de Opinião (exemplo): Sobre o ‘com’ e o ‘sem’: pelo fim do Escola Sem Partido



REFERÊNCIAS:

Fontana, Niura Maria. Práticas de linguagem: gêneros discursivos e interação / Niura maria Fontana, Neires Maria Soldatelli Paviani, Isabel Maria Paese Pressanto. - Caxias do Sul, RS: Educs, 2009.

Gêneros Textuais: Carta Argumentativa


O que é
Essa espécie de carta constitui um texto de natureza argumentativa, que tem por objetivo defender o ponto de vista do locutor e persuadir o interlocutor.

Quem escreve
Público em geral.

Propósito
Defender um ponto de vista sobre determinado assunto, através de argumentos convincentes, a fim de persuadir o interlocutor a quem ala se destina.

Onde circula
Geralmente num âmbito particular, pois a carta destina-se a um interlocutor específico.

Quando
Sempre que houver necessidade de reivindicar, denunciar, reclamar, sugerir, aconselhar...

Quem lê
Interlocutor a quem se destina a carta. No caso de sua publicação, o público leitor do(s) veículo(s) em que a carta foi publicada.

Por que lê
Sendo um texto que se dirige a um destinatário específico, este sente-se chamado a interagir com os argumentos expostos.

Possível influência da leitura
Persuadir ou convencer o interlocutor, partindo da argumentatividade contida na carta.

Reação em resposta à leitura
O interlocutor pode, ou não, deixar-se persuadir pelos argumentos expostos no texto;
Quase sempre, ocorre envio de resposta ao remetente.

Estrutura textual prototípica (usual)
Formato constituído pelas seguintes partes: data, vocativo, corpo do texto (assunto), expressão cordial de despedida e assinatura. O corpo constitui-se de três partes essenciais: 1) exposição do ponto de vista do autor (ou ideia principal); 2) desenvolvimento (com argumentos) desse ponto de vista; 3) conclusão (confirmação do ponto de vista).

Mecanismos linguísticos
Linguagem do consenso, em geral, impessoal, clara e objetiva, mas pode variar muito, dependendo da situação e dos interactantes;
Predomínio da 1ª ou da 3ª pessoa, embora seja comum a mistura;
Formas verbais geralmente no presente do indicativo e às vezes no imperativo.

Exemplos de Carta Argumentativa

  1. Carta Argumentativa 1: Moacyr Scliar



REFERÊNCIAS:

Fontana, Niura Maria. Práticas de linguagem: gêneros discursivos e interação / Niura maria Fontana, Neires Maria Soldatelli Paviani, Isabel Maria Paese Pressanto. - Caxias do Sul, RS: Educs, 2009.