21 agosto 2016

10 Curiosidades sobre Carlos Drummond de Andrade

Foto: Carlos Drummond de Andrade

1 . Nasceu em Itabira, Minas Gerais


Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
— Trecho do poema Confidência do Itabirano

O poeta nasceu a 31 de outubro de 1902, em Itabira, a 110 Km de Belo horizonte. "Na região está a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo. Em 1942, Itabira também viu nascer a Vale Do Rio Doce - a segunda maior minerado do mundo e maior produtora mundial de minério de ferro. Mais de 90% da economia do município, direta ou indiretamente, giram em torno da companhia." [1]

"A Fazenda do Pontal, que pertenceu à família do poeta, foi comprada pela empresa. Itabira aparece diversas vezes na obra de Drummond - ora nos poemas que relembram a infância, ora nas comparações da vida da grande cidade (Rio de Janeiro) com o mundo onde ele cresceu (Itabira)." [1]

2. Foi expulso do colégio


Quando tinha 15 anos, Estudou na capital mineira e depois em um colégio jesuíta de Nova Friburgo (RJ). Foi lá onde publicou seu primeiro texto, em 14 de abril de 1918, no jornal do colégio. Um ano depois, foi expulso por 'insubordinação mental', após uma briga com seu professor de Português. Ele não pôde se despedir de ninguém e teve de deixar o colégio durante a madrugada.

Mais tarde, em sua autobiografia, Drummond afirmou: 'Perdi a fé. Perdi tempo. E sobretudo perdi a confiança na justiça daqueles que me julgavam'. Ao jornalista Geneton Morais, naquela que seria sua última entrevista, disse: 'Não tenho trauma, não. Já falei tanto mal dos padres que me expulsaram, já esculhambei tanto que hoje estamos quites'. [1] [2]

3. Foi funcionário público

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!
— Trecho do poema Confidência do Itabirano

Drummond foi funcionário público por mais de 40 anos. Ocupou cargos no Ministério da Educação e da Saúde Pública, entre outros. Durante seu período no MEC, na década de 1940, acompanhou a construção do Palácio Gustavo Capanema, sede do Ministério e símbolo do modernismo brasileiro. "O projeto foi feito por uma equipe formada, entre outros, por Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Afonso Eduardo Reidy, Burle Marx e Le Corbusier, importantes nomes na arquitetura mundial." [1]

4. Foi jornalista

Há 64 anos, um adolescente fascinado por papel impresso notou que, no andar térreo do prédio onde morava, um placar exibia a cada manhã a primeira página de um jornal modestíssimo, porém jornal. Não teve dúvida. Entrou e ofereceu os seus serviços ao diretor, que era, sozinho, todo o pessoal da redação. O homem olhou-o, cético, e perguntou:
— Sobre o que pretende escrever?
— Sobre tudo. Cinema, literatura, vida urbana, moral, coisas deste mundo e de qualquer outro possível. [3]
— Trecho de Ciao, última crônica publicada por Carlos Drummond de Andrade

Paralelamente ao trabalho burocrático, desenvolveu uma carreira como cronista e jornalista, com a qual teve uma relação muito próxima. Foi, por exemplo, repórter do Correio da Manhã. Ao jornalista Geneton Morais, disse: "O jornalismo é uma forma de literatura. Eu, pelo menos, convivi - e mil escritores conviveram - como uma forma de jornalismo que me parece muito afeiçoada à criação literária: a crônica".

De outubro de 1969 a setembro de 1984, escreveu crônicas no Jornal do Brasil. Escrevia às terças, quintas e sábados. Drummond também escreveu contos. Publicou, ao todo, 20 livros de crônicas e contos". [1]

5. Escreveu o melhor poema brasileiro de todos os tempos

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa, 
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos 
que era pausado e seco; e aves pairassem 
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia. [10]
— Trecho do poema A Máquina do Mundo de Carlos Drummond de Andrade

"Este poema foi escolhido como o melhor poema brasileiro de todos os tempos por um grupo significativo de escritores e críticos, a pedido do caderno 'MAIS' (edição de 02-01-2000), publicado aos domingos pelo jornal 'Folha de São Paulo'”. [10]

Escrito em 1952 em decassílabos brancos e publicado originalmente no livro Claro Enigma, o texto é "a retomada de um célebre episódio de 'Os Lusíadas', de Luís de Camões. Nele, tal como acontece a Vasco da Gama, a totalidade do Universo se apresenta à visão do narrador -que, no entanto, desencantado, lhe dá as costas". [11]

6. Traduziu músicas da banda The Beatles

Desde sempre te amei
e bem sabes que ainda te amo.
Devo esperar toda a vida?
Se quiseres — esperarei. [7]
— Trecho de I Will, em tradução de Carlos Drummond de Andrade

A edição de março de 1969 da revista Realidade trouxe seis músicas da banda britânica The Beatles traduzidas por Drummond. The White Album , lançado quatro meses antes e sucessor de Sgt. Peppers, trazia uma música que, nas emissoras de rádio, era apresentada como pornográfica: Why Don’t We Do It in the Road? No one will be watching us. [Por que não fazemos na estrada? Ninguém vai nos ver.]

"Foi então que os editores da saudosa revista Realidade, que circulou mensalmente por dez anos, entre 1966 e 1976, teve a mãe de todas as ideias: mergulhar nas letras do novo álbum e explicá-las. Para essa empreitada era preciso alguém de pena leve, elegante, especial, insuspeito. E convidaram um dos maiores poetas brasileiros, para muitos o maior, para traduzir seis músicas. E lá foi Carlos Drummond de Andrade decifrar os Beatles". [7]

As canções traduzidas são: Ob-La-Di, Ob-La-Da; Piggies; Why don't we do it in the road?; I Will; Blackbird e Happiness is a warm gun. Durante sua carreira, Drummond também traduziu diversos livros para o português. Autores como Marcel Proust, Balzac e García Lorca foram alguns dos autores estrangeiros que o poeta traduziu. [1]

7. Era fã de Chico Buarque

Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo que amava Juca que amava Dora que amava 
Carlos amava Dora que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha [12]
— Trecho a música Flor da Idade, em que Chico Buarque faz referência ao poema Quadrilha, de Drummond

"Gosto de Noel, de Caetano, de Gilberto Gil. E também do Tom Jobim. É difícil dizer assim de cabeça, mas tem muita gente boa", disse Drummond em entrevista ao jornalista Zuenir Ventura. "Gosto de Chico Buarque, nem é preciso dizer, com quem me sinto muito identificado." Chico Buarque, em 1975, escreveu o musical Gota D´Água, com Paulo Pontes. Uma das músicas, que ficou muito famosa depois, é Flor da Idade - "Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava..." - uma referência direta ao poema Quadrilha, de Drummond: "João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria...". [1]

8. Morreu doze dias após a filha

O filho que não fiz
hoje seria homem.
Ele corre na brisa,
sem carne, sem nome. [5]
— Trecho do poema Ser, de Carlos Drummond de Andrade

Drummond morreu em 17 de agosto de 1987, doze dias após a morte de sua única filha, Maria Julieta, aos 59 anos. Aos 25 anos, drummond perdeu seu primeiro filho, Carlos Flávio, falecido poucos meses após o nascimento. Drummond faleceu de ataque cardíaco no dia 17 de agosto. "Pai e filha chegaram a travar uma disputa para ver quem morreria primeiro. Assim, o primeiro não sofreria com a perda do outro. No velório de Maria Julieta, Drummond disse a um amigo: 'Isto não está certo, ela deveria ficar para fechar os meus olhos'". [1] [4]

9. Deixou poemas inéditos após a morte

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica. [6]
— Trecho do poema A bunda, que engraçada

Drummond foi casado por 62 anos com Dolores Dutra de Morais. Porém, durante 36 anos, Lygia Fernandes, 25 anos mais jovem que o poeta, e Drummond namoraram (como eles preferiam chamar o caso extraconjugal). Se conheceram, em 1951, no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, onde trabalhavam. Eles se viam todos os dias, mesmo depois de o poeta se aposentar. Drummond fez várias poesias para ela e deixou, pelo menos, três livros de poemas inéditos, além de manuscritos de Lição de Coisas e Boitempo. Lygia morreu em 2003 e seus familiares recolheram o material. Até hoje se recusam a divulgá-lo. Um tesouro perdido. [1]


Drummond é um dos nomes mais consagrados da poesia modernista, que se categoriza, entre outras coisas, por seus versos livres e a temática mais ligada ao social.

10. Há uma escultura dele na Orla de Copacabana

Homenagem da cidade do Rio de Janeiro ao Centenário do poeta Carlos Drummond de Andrade. Obra em bronze mais famosa do artista, instalada na orla de Copacabana, é o segundo monumento público mais visitado da cidade, perdendo apenas para o Cristo Redentor. [8]


O mineiro Leo Santana foi quem esculpiu em bronze a estátua de Drummond que fica no calçadão de Copacabana, nas imediações do Posto 6, no Rio de Janeiro.

"A estátua pesa cerca de 150 quilos, foi feita para retratar um momento rotineiro da vida de Drummond, a partir de registro fotográfico feito por Rogério Reis. Sua inauguração se deu em meio às homenagens ao centenário do poeta (2002) que, embora mineiro, passou parte significativa de sua vida no Rio de Janeiro".  [9]

Foto: À esquerda, estátua de Drummond. À direita, o poeta em Copacabana.

Referências: 
[1] http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/13-curiosidades-carlos-drummond-andrade-690935.shtml. Acesso em: 21 ago. 2016.

[2] http://www.pactoaudiovisual.com.br/mestres_final/drummond/vida_e_obra.htm. Acesso em: 21 ago. 2016.

[3] http://www.revistabula.com/4103-a-ultima-cronica-de-drummond/. Acesso em: 21 ago. 2016.

[4] http://jornalfolhadenegocios.blogspot.com.br/2012/08/10-curiosidades-sobre-carlos-drummond.html. Acesso em: 21 ago. 2016.

[5] http://www.angelfire.com/celeb/olobo/ser.html. Acesso em: 21 ago. 2016.

[6] http://tipografos.net/pdf/drumond.pdf. Acesso em: 21 ago. 2016.

[7] http://cultura.estadao.com.br/blogs/sonoridades/drummond-o-poeta-que-decifrou-os-beatles/. Acesso em: 21 ago. 2016.

[8] http://postozero.com/ar-livre/pontos-de-interesse/estatua/estatua-de-carlos-drumond-andrade. Acesso em: 21 ago. 2016.

[9] http://www.wikirio.com.br/Est%C3%A1tua_de_Carlos_Drummond_de_Andrade. Acesso em: 21 ago. 2016.

[10] http://www.releituras.com/drummond_amaquina.asp. Acesso em: 21 ago. 2016.


[12] https://www.letras.mus.br/chico-buarque/84969/. Acesso em: 21 ago. 2016.